quarta-feira, 23 de março de 2011

em honra de Mikhail Baryshnikov

Uma menina teve aulas de ballet clássico desde os seus quatro anos. Treinou, dançou, sofreu, curou durante anos a fio. Decidiu um dia que chegara a altura de decidir se manteria o ballet como um hobby, ou se se tornaria uma bailarina profissional. Para tal, teria que fazer uma audição perante um júri, para demonstrar o seu talento. Quando chegou ao teatro foi aos camarins por breves minutos antes de iniciar a sua prova e falou com o director de castings. Disse-lhe: Gostava muito de me tornar uma grande bailarina, mas não tenho a certeza de ter o talento necessário. Ele disse:
- Faz-me uma demonstração daquilo que consegues fazer.
Passados cinco minutos interrompeu-a com um aceno de desaprovação.
- Não, não tens o que é preciso para ser bailarina.
A jovem chegou a casa, despiu-se, arrumou a sua roupa e as suas sapatilhas numa caixa vermelha, fechou-a e nunca mais a abriu.

Anos mais tarde, à saída de uma peça de ballet, cruzou-se com o mesmo director. Tentou fazê-lo lembrar-se dela e mostrou-lhe as fotografias do seu marido e filhos. Disse-lhe:
- Há uma coisa que nunca compreendi. Como pôde ter percebido tão rápido que não seria uma grande bailarina?
A resposta:
- Disse-te o mesmo que digo a todas. As que prestam provas apesar da minha desaprovação, são as únicas que serão grandes bailarinas. Se tivesses os dotes necessários e uma verdadeira vocação não me terias prestado tanta atenção, mas tentarias provar que estava errado.


em honra de Mikhail Baryshnikov