sábado, 12 de março de 2011

Bailarina





Uma das grandes frustrações que carrego comigo,
 é a de não ter feito ballet.
Não gostaria de ser uma grande bailarina, apenas

 ser mais uma, já seria o bastante.
Bailarinas são esculturas que dançam com o

 vento. Acho-as a primazia da feminilidade.
Seres de nuances doces e nobres, de gestos 

precisos, delicados e firmes. Gosto de ver 
não só a romanticidade com que voam, tocam
 e rodopiam. Gosto mais ainda de ver, 
como mantém o semblante sério e concentrado,
 como mantém os corpos firmes e bem 
posicionados, com um leve sorriso ao término 
de cada passo.

Mas, se uma bailarina eu fosse, fugiria desse 

tradicionalismo todo, dessa imagem de princesa 
de conto de fadas. Entre developpés e cabrioles,
 eu fumaria alguma coisa e beberia destilados,
 também teria uma tatuagem em uma das pernas 
- talvez, uma serpente - que iria do tornozelo até 
a coxa.
Porque perfeição demais, não faz bem a ninguém

 e eu jamais seria uma réplica da Barbie que gira
 no ar... perfeita e contida.
E porque ser feminina é não ser só doce ou 

amarga
, só isso ou aquilo. Ser feminina é ser dúbia,
 é ser muitas, é ser todas.
E também porque, assim como doce demais enjoa,

 delicadeza e simetria também!